terça-feira, 28 de maio de 2013

Índigo DDA TDAH






O seu filho “viaja” quando ouve algo que não lhe interessa na aula? Ou vira-se para um papo-cabeça com o colega? Ele parece desatento e distraído, mas fica horas superconcentrado no que gosta, como jogos de computador, futebol ou teclados de um piano? Ele é rebelde, respondão e detesta injustiças? Precisa que você lhe explique com todo o carinho os motivos para que obedeça? Pois seu filho pode ser um índigo — a cor arroxeada do jeans, quase lilás, e escolhida por representar uma aura positiva. O rótulo foi criado por especialistas americanos para designar uma criança hipersensível, cujo cérebro recebe muito mais estímulos que a média dos mortais.

A personagem Salete (Bruna Marquezine), de “Mulheres apaixonadas”, é uma índigo, com uma intuição tão exacerbada que chega a ser premonitória. Quem confirma é o autor Manoel Carlos:

— Nos Estados Unidos ouvi falar muito em crianças índigo. Salete é índigo. Ela tem uma percepção da luz, vê anjos, prevê acontecimentos, tem premonições. Algumas vezes, as crianças índigo não distinguem se são sonhos ou visões e nem sabem que são índigo. Mas não se trata de um fenômeno raro.

Para a psiquiatra Ana Beatriz B. Silva, o índigo ou o lilás é a versão superdotada dos portadores do já conhecido distúrbio do déficit de atenção (DDA), uma característica do funcionamento cerebral superestimulado. Há poucas décadas, o DDA era tido como doença, lesão cerebral ou disritmia, que deveriam ser tratadas com drogas pesadas, segundo ela, uma visão hoje “ultrapassadíssima”. Ana Beatriz acaba de lançar o livro, já best-seller, “Mentes inquietas” (Ed. Nepades), no qual explica como lidar com essas crianças de cérebro hiperestimulado para que elas desenvolvam suas potencialidades — geralmente geniais — e não terminem rotuladas, em casa e na escola, como intempestivas, desatentas e até agressivas, o que as leva ao desastre.

Os autores do livro “The indigo children”, Lee Carrol e Jan Tober, acreditam que haja uma geração sem precedentes de índigos nos EUA. Ana Beatriz concorda: essa geração índigo é fruto da revolução tecnológica, que hiperestimulou as crianças, trazendo à tona seus expoentes DDA:

— São os casos daqueles jovens que fizeram o seu primeiro milhão antes de terminar o ensino médio. Eles já eram DDA, mas, com a revolução tecnológica, foram ainda mais estimulados, hiperfocaram a atenção na eletrônica e produziram coisas geniais. No Brasil, como a revolução tecnológica chegou alguns anos mais tarde, a explosão de potencialidades dessa nova geração índigo ainda está por despontar, mas Ana Beatriz já vê alguns deles, como o músico Marcelo Yuka, seu paciente há quatro anos, cujo “faro para a estranheza”, como ela brinca, vem desde a infância:

— Tudo o que Marcelo Yuka descobre em termos de sons e parece estranho, depois de algum tempo vira popular. Os índigos têm ainda uma intuição exacerbada, como a Salete, que, segundo Ana Beatriz, é interpretada como uma espiritualidade elevada:

— Mas o que a ciência comprova é que os índigo têm um funcionamento cerebral diferente. Se não forem bem compreendidos, podem ser confundidos com pessoas impulsivas e agitadas. Vida contemporânea aflige crianças sensíveis Além da revolução tecnológica, que estimula ainda mais as potencialidades das crianças índigo e DDAs, a psicóloga Débora Gil alerta que a sociedade competitiva e individualista também afeta extremamente essas crianças hipersensíveis. Por serem muito curiosas, intuitivas, solidárias e justas, a cultura do sucesso e do dinheiro pode deixá-las aflitas, ansiosas ou angustiadas. Débora Gil, que trabalha com a psiquiatra Ana Beatriz B. Silva no Núcleo de Medicina do Comportamento (Napades), no Leblon, diz que este é mais um motivo para que estas crianças sejam tratadas com maior compreensão:

— Essas crianças são hipersensíveis e essa tensão social as afeta mais que as outras. Escolas já adotam visão diferente de índigos Mas como funciona o cérebro índigo? O que a neurociência comprovou, segundo Débora Gil, é que o lobo pré-frontal do cérebro, que filtra os estímulos externos, trabalha mais devagar nessas crianças. Isso significa que as demais partes do cérebro recebem mais estímulos e trabalham mais rapidamente. A psiquiatra Ana Beatriz B. Silva explica que essas crianças são hiperestimuladas e, por isso, são mais inteligentes, sensíveis, intuitivas, criativas e ativas.

— Na visão ultrapassadíssima da neurologia, o exame era o encefalograma e o diagnóstico era de lesão cerebral e desritmia, com prescrição de drogas como Gardenal. Hoje sabemos que os DDAs e os índigos são apenas diferentes na velocidade do funcionamento cerebral e precisam apenas de ajuda para desenvolver suas potencialidades que são geniais — diz ela. As drogas, como as à base de ritalina, são indicadas, segundo ela, só em casos raríssimos de extrema dificuldade de concentração e devem ser usadas em períodos de um a dois anos no máximo:

— Hoje sabemos que o cérebro tem uma enorme plasticidade. Assim como uma terapia altera o seu funcionamento, a droga também o ensina a regular a sua produção de dopamina, o que equilibra a impulsividade dos DDAs. Os índigos sempre existiram, mas nem sempre foram compreendidos como gênios, segundo Ana Beatriz. Ela cita em seu livro índigos históricos: Einstein, que chegou a ser considerado uma criança burra por seus professores, Mozart, Beethoven, Leonardo da Vinci, James Dean e Marlon Brando estão na lista de gente lilás tida como louca.

Mas isso já passou. No Rio, os índigos e os DDAs já conquistam novos tratamentos para sua hipersensibilidade. Escolas como a Creche Acalanto, o Jardim-Escola Vilhena de Morais, o Espaço Educação e o Franco-brasileiro já não vêem seus alunos hipersensíveis como crianças-problema. Foi o caso de João Gustavo, de 10 anos, aluno da Creche Acalanto. O menino é um ótimo pesquisador, um ótimo papo, mas sofre na hora de escrever. Não tem paciência nem para ler um enunciado de uma questão. A mãe, Claudia, foi chamada pela escola para resolverem juntos a situação:

— Não é nada grave, mas ele só se concentra no que gosta. Ele é obediente, desde que eu explique muito bem por que ele deve obedecer. Ele acha que dá trabalho ler, mas adora ficar no computador, conversa com todo mundo pelo ICQ. A mãe de Letícia, de 5 anos, Wanda Barros, também foi alertada pelo Jardim-Escola Vilhena de Moraes que a menina parecia distraída, mas não era: apenas prestava atenção na professora e em milhões de outras coisas à sua volta. Tiago, de 7 anos, é um artista do Colégio Franco-brasileiro.

Faz comerciais, decora longos textos, conversa com todo mundo na rua, pergunta sempre por que tem que fazer o que lhe mandam. Mas, na hora de escrever, o pensamento vai mais rápido que a sua história. Sua mãe tenta pacientemente lhe ensinar a escrever com “começo, meio e fim”. Teresa, mãe de Carolina, de 5 anos, teve que se “adaptar” à filha:

— No início, eu me afligia e tentava mudá-la. Nada dava certo, ela não aceita ordens. Quando eu me irritava, eu dizia “é assim porque eu quero, sou sua mãe e pronto”. Era um desastre. Eu é que tive que mudar. Carol é assim inquieta e pronto — brinca Teresa.

fonte: http://novasmudancas.blogs.sapo.pt/2291.html

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